TUA
Como um animal, sobre as quatro patas,
Eu me debruço para te lamber as partes
Como se disso dependesse a minha vida
- Sou tua cadela, anjo. Sou tua!
Meus punhos forçam a fuga,
Não falsamente,
Mas porque esperam a forca dos teus dedos em resposta
- Sou tua cadela, anjo. Sou tua!
Você me espreme e tortura
Me espanca, arrancando de mim a razão
Você me abre e eu grito
- Sou tua cadela, anjo. Sou tua!
Seu corpo assalta minhas partes,
Me lambe as pregas e rasga a pele
Minhas águas escorrem pelas coxas fracas
Você me chama:
- Cadela!
E eu sussurro:
-Sou tua!
FILHINHA DO PAPAI
Esse ano vai ser loooooooooongo!
No pré eu estudava na escolinha que minha tia era coordenadora. Naquela época isso era chato às vezes, mas na maior parte do tempo os lucros eram maiores. Agora, aos 23, estou na escola onde meu pai é diretor e o lucros são nulos. Calma! Essa é a parte boa!
Eu dou graças que ninguém - ainda - tentou me bajular e tenho que ficar atenta pra nenhum privilégio passar desapercebido (semana passada eu insisti pra um professor NÃO me dar meio ponto a mais num trabalho!). E todo dia eu ouço que tenho que ser "exemplo" - quando não é o meu pai é o eco de todas as vezes que ele me disse isso.
Bom, lamento informar mas eu não sou exemplo de porra nenhuma! Entrei neste curso como aluna... again, A LU NA!!! Não funcionária, não espiã, nada dissso. AAAAAAAAA LUUUUU NAAAAAAHHH!!!!
... E fique dito!
Esse ano vai ser loooooooooongo!
No pré eu estudava na escolinha que minha tia era coordenadora. Naquela época isso era chato às vezes, mas na maior parte do tempo os lucros eram maiores. Agora, aos 23, estou na escola onde meu pai é diretor e o lucros são nulos. Calma! Essa é a parte boa!
Eu dou graças que ninguém - ainda - tentou me bajular e tenho que ficar atenta pra nenhum privilégio passar desapercebido (semana passada eu insisti pra um professor NÃO me dar meio ponto a mais num trabalho!). E todo dia eu ouço que tenho que ser "exemplo" - quando não é o meu pai é o eco de todas as vezes que ele me disse isso.
Bom, lamento informar mas eu não sou exemplo de porra nenhuma! Entrei neste curso como aluna... again, A LU NA!!! Não funcionária, não espiã, nada dissso. AAAAAAAAA LUUUUU NAAAAAAHHH!!!!
... E fique dito!
CARTAS SEM DONO
Uma carta que não é enviada continua sendo uma carta? Pergunto porque sou repleta de coisas não-ditas, dos sons que morrem na boca querendo soar. Este blog contém muitas não-cartas. Coisas sinceras ou diretas demais pra eu as dissesse diretamente. Você gostaria de receber uma carta dessas?
Meu crânio não sustenta o maldito silêncio e eu acabo desviando as palavras pra onde a sorte decide se elas chegarão ao destino ou não. E, se chegarem, se serão reconhecidas. Sou covarde ou cautelosa? Tenho medo e esperança, ao mesmo tempo. Como se publicar uma carta, ao invés de enviá-la diretamente, me eximisse da responsabilidade pelo que estou dizendo. Poucas idéias podem ser mais idiotas.
Uma carta que não é enviada continua sendo uma carta? Pergunto porque sou repleta de coisas não-ditas, dos sons que morrem na boca querendo soar. Este blog contém muitas não-cartas. Coisas sinceras ou diretas demais pra eu as dissesse diretamente. Você gostaria de receber uma carta dessas?
Meu crânio não sustenta o maldito silêncio e eu acabo desviando as palavras pra onde a sorte decide se elas chegarão ao destino ou não. E, se chegarem, se serão reconhecidas. Sou covarde ou cautelosa? Tenho medo e esperança, ao mesmo tempo. Como se publicar uma carta, ao invés de enviá-la diretamente, me eximisse da responsabilidade pelo que estou dizendo. Poucas idéias podem ser mais idiotas.
VICKY CRISTINA SHORTBUS
Uma caneca escrito qualquer coisa sobre sorrisos contém whisky e uma pedra de gelo. Não sou dona do meu nariz (por nariz enteda-se contas) e não estou sozinha em casa. Mas acabei de voltar do cinema e minha cabeça simplesmente não pára. Eu preciso escrever!
Eu não acredito mais em coincidências. Faz mais ou menos um ano, já.
Hoje encontrei meu ex e a atual dele no cinema. Eu estava com um amigo de anos e num momento de absoluta falta de noção (e profunda amizade) sentamos junto do casal. Tirando o fator empata-foda, não tem nada de mais. Acabou sendo perfeito.
Eles, justo eles - um que ouviu toda a história e outro que participou dela - estavam comigo para ver esse filme! muitas coincidências entre a tela e a vida, muitas!
Tanto pra dizer e o universo não é grande o suficiente para conter o som na minha garganta!
Uma caneca escrito qualquer coisa sobre sorrisos contém whisky e uma pedra de gelo. Não sou dona do meu nariz (por nariz enteda-se contas) e não estou sozinha em casa. Mas acabei de voltar do cinema e minha cabeça simplesmente não pára. Eu preciso escrever!
Eu não acredito mais em coincidências. Faz mais ou menos um ano, já.
Hoje encontrei meu ex e a atual dele no cinema. Eu estava com um amigo de anos e num momento de absoluta falta de noção (e profunda amizade) sentamos junto do casal. Tirando o fator empata-foda, não tem nada de mais. Acabou sendo perfeito.
Eles, justo eles - um que ouviu toda a história e outro que participou dela - estavam comigo para ver esse filme! muitas coincidências entre a tela e a vida, muitas!
Tanto pra dizer e o universo não é grande o suficiente para conter o som na minha garganta!
O PATO
Tem bico de pato, penas de pato, cheira a pato, mas não se chama “pato”
Catalogar, classificar e nomear são atividades que organizam a nossa cabeça e nos dão segurança sobre o terreno pisado. Por isso adoramos “dar nome aos bois”. As coisas abstratas nos parecem mais tangíveis e controláveis se lhes damos um nome, uma definição. É como se pudéssemos domar um furacão simplesmente definindo que, a este fenômeno, chamaremos “furacão”.
Assim fazemos com tudo, e com nossas relações também. A mãe desnaturada é aquela que não se encaixa nos moldes do que associamos à palavra “mãe”, seja ela boa ou não. No meu humilde parecer, é aí que reside problema: no molde. Ou, antes, em adaptar-se a ele.
Sim, porque poucas coisas no mundo são tão abstratas e fluidas quanto nossas relações. Mágoas, expectativas, sonhos e estranhamentos, muitos elementos em constante movimentação racham as represas que construímos para domar o indomável. É como guardar o oceano em um aquariozinho. O conceito mais comum de traição é uma dessas rachaduras, por exemplo. A exclusividade entre casais faz parte da definição pré-concebida (e amplamente aceita) da idéia “namoro”.
Mas quem decidiu isso? A dramaturga Gabriela Itocazo disse uma vez que o conceito comum de arte não correspondia ao seu trabalho e que, se fosse o caso, seria necessário criar uma nova palavra que cumprisse uma nova função. O mesmo podemos dizer de nossos enlaces – de qualquer espécie. A distinção entre amizade, amor, paixão existe mais na semântica do que no peito. Quase não há mais poder de comunicação nesses termos. Ou as definições sexuais. O que é um bissexual? Alguém que gosta exatamente 50% de homens e de mulheres? Se eu gosto 56% de mulheres e só 44% de homens eu sou lésbica? E como se mediria isso?
Há uma linha (nem tão sutil) entre a ordem e o absurdo. Rótulos são palhaços bêbados dançando sobre essa linha.
Me recuso terminantemente a pegar um pacote de amor pré cozido numa prateleira de supermercado e me obrigar a vivê-lo. E se preciso mudar o nome para poder viver o amor do meu jeito, que seja!
Quero trocar o amor quebra-cabeças (com cada peça em seu exato lugar) por um amor de massinha, com o qual possa brincar como bem entender. Quero um amor mais lúdico que sofrido. Um Calvin Love em que, como no Calvin Ball, as regras brotam ou desaparecem na medida em que jogamos.
O futuro é uma convenção. Vivemos um dia de cada vez. Como podemos, então, fazer promessas para amanhã? Que sabemos do amanhã? É um tipo cruel de prisão esta em que nos metemos afim de agradar o outro. Acabamos por criar grandes ilusões e afogar a sinceridade logo no princípio – antes que ela atrapalhe todo o resto. Jeito perigoso de começar o que quer que seja.
Eu te amo hoje. Não sei o que acontecerá a seguir, mas, hoje, tenho o mundo pra ofertar. Você quer?
Tem bico de pato, penas de pato, cheira a pato, mas não se chama “pato”
Catalogar, classificar e nomear são atividades que organizam a nossa cabeça e nos dão segurança sobre o terreno pisado. Por isso adoramos “dar nome aos bois”. As coisas abstratas nos parecem mais tangíveis e controláveis se lhes damos um nome, uma definição. É como se pudéssemos domar um furacão simplesmente definindo que, a este fenômeno, chamaremos “furacão”.
Assim fazemos com tudo, e com nossas relações também. A mãe desnaturada é aquela que não se encaixa nos moldes do que associamos à palavra “mãe”, seja ela boa ou não. No meu humilde parecer, é aí que reside problema: no molde. Ou, antes, em adaptar-se a ele.
Sim, porque poucas coisas no mundo são tão abstratas e fluidas quanto nossas relações. Mágoas, expectativas, sonhos e estranhamentos, muitos elementos em constante movimentação racham as represas que construímos para domar o indomável. É como guardar o oceano em um aquariozinho. O conceito mais comum de traição é uma dessas rachaduras, por exemplo. A exclusividade entre casais faz parte da definição pré-concebida (e amplamente aceita) da idéia “namoro”.
Mas quem decidiu isso? A dramaturga Gabriela Itocazo disse uma vez que o conceito comum de arte não correspondia ao seu trabalho e que, se fosse o caso, seria necessário criar uma nova palavra que cumprisse uma nova função. O mesmo podemos dizer de nossos enlaces – de qualquer espécie. A distinção entre amizade, amor, paixão existe mais na semântica do que no peito. Quase não há mais poder de comunicação nesses termos. Ou as definições sexuais. O que é um bissexual? Alguém que gosta exatamente 50% de homens e de mulheres? Se eu gosto 56% de mulheres e só 44% de homens eu sou lésbica? E como se mediria isso?
Há uma linha (nem tão sutil) entre a ordem e o absurdo. Rótulos são palhaços bêbados dançando sobre essa linha.
Me recuso terminantemente a pegar um pacote de amor pré cozido numa prateleira de supermercado e me obrigar a vivê-lo. E se preciso mudar o nome para poder viver o amor do meu jeito, que seja!
Quero trocar o amor quebra-cabeças (com cada peça em seu exato lugar) por um amor de massinha, com o qual possa brincar como bem entender. Quero um amor mais lúdico que sofrido. Um Calvin Love em que, como no Calvin Ball, as regras brotam ou desaparecem na medida em que jogamos.
O futuro é uma convenção. Vivemos um dia de cada vez. Como podemos, então, fazer promessas para amanhã? Que sabemos do amanhã? É um tipo cruel de prisão esta em que nos metemos afim de agradar o outro. Acabamos por criar grandes ilusões e afogar a sinceridade logo no princípio – antes que ela atrapalhe todo o resto. Jeito perigoso de começar o que quer que seja.
Eu te amo hoje. Não sei o que acontecerá a seguir, mas, hoje, tenho o mundo pra ofertar. Você quer?
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